A noite se reclina sobre ela, murmurante.
Os lençóis, antes tão confortáveis, parecem sufocá-la aos poucos.
No mundo dos sonhos, uma realidade se despedaça
mesmo sendo intangível
(não consigo fugir pare pare tenho medo)
Tenta gritar, mas sua voz apenas dedilha
v a g a m e n t e
sua garganta, afogando-a no desespero.
Blam!
Acordou.
A respiração descompassada
Fios suados se agarrando à sua fronte
Batimentos sem controle
(shhh passou passou um pesadelo já foi já foi)
Se sente como um passarinho assustado.
Se sente sozinha,
se sente desamparada
se sente uma intrusa no quarto que habita há anos.
Respira fundo, e tenta se acalmar.
Não percebeu ainda as lágrimas rolando,
caindo brilhantes sobre o que restou de um sonho...
que despedaçou.
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