Histórias de terror são tão clichês. Monstros, fantasmas, serial killers deformados... Todos fadados ao lugar-comum, ao previsível. Afinal, nos filmes de terror até os sustos são padronizados: o assassino no banco traseiro do carro, o fantasma no espelho, o vulto suspeito no fim do corredor. Passei minha juventude inteira assistindo a essas baboseiras... Mas nenhuma história me preparou para o que seria o verdadeiro terror.
Sentir minha mente se despedaçando, os lapsos de memória... Me olhei no espelho e não vi fantasma algum, além de meu próprio reflexo amaldiçoado. Não consigo trabalhar, e não vejo outro ser humano há semanas. Os meus lapsos apagam dias inteiros de meu calendário. Minha única companhia tem sido meu gato, e seu olhar severo pousado sobre o que restou de mim.
Apesar do bichano estar desaparecido desde ontem... e minhas mãos estão cobertas de sangue.