Pode me chamar de orgulhosa, arrogante, individualista. Talvez eu seja. Não me force a partilhar meus segredos... um dia lhe conto. Ou não. Eu, se fosse você, não criaria expectativas. Também não me cobre amor. Eu evito, eu fujo, eu corro. Por quê? Porque eu não acredito. Acredito em ganância, em momentos, em desejo, em carne e sangue. Amor é duvidoso demais, traiçoeiro demais, em um minuto te deixa completamente vulnerável. Talvez um dia eu mude de ideia. Mas sobre isso, eu não crio expectativas.
Agora que fiz uma breve divagação, é sua vez. De indagar, seja a mim ou a si mesmo. Entenda, a primeiro momento, eu não me interesso pelo que você diz. Me convença. Venha aqui, enquanto entrevejo seu contorno através da fumaça de um cigarro e dos acordes do jazz, com o sorriso cínico da esfinge e seu enigma: decifra-me ou devoro-te.
Mary Jane