vê meus dedos cobertos de carvão?
queimei-os quando estiquei a mão
para pegar uma estrela
numa noite que recendia
a vinho barato
a devaneios
e às teclas empoeiradas de um piano.
como assim, impossível?
já olhou pro céu à noite?
todas as estrelas são pequeninas
e cabem na palma da mão.
essa dançava pelos meus dedos,
quando se assustou com alguma coisa.
seu fogo me mordeu
e logo havia só uma fuligem
vagamente cálida.
e a noite,
em seus anseios
e ecos
e desafinos
e ressoante quietude
no universo infinito
que às vezes só está na minha cabeça.
(da próxima vez que eu for brincar com estrelas, vou usar luvas.)
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