amigo,
entorne aí nesse copo
a minha última esperança
com dois cubos de gelo
e uma vida de lembranças.
sirva pra mim
o sorriso em sua voz
o sol em seus cabelos
e as lágrimas amargas
de quando ela me deixou.
porque ela deixou, senhor.
me deixou sem sequer dizer adeus,
deixou este cão danado
que só percebeu o valor daquilo que tinha
quando para sempre o perdeu.
é tarde?
se quiser, pode apagar as luzes do bar.
ainda vou ficar aqui
talvez o resto da minha vida
tentando encontrar no fundo deste copo
o homem que fui um dia.
mas antes disso
derrame toda a minha mágoa
e toda a minha dor
(com dois dedos de whisky, por favor.)
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